Grupos de Discussão (GD)
19 de abril de 2014 (domingo) e 20 de abril de 2014 (segunda-feira)
10:30 às 12:30hs
EIXO: SABERES E PRÁTICAS
Leitura de textos históricos escolares
Coordenação: Luísa Teixeira Andrade Pinho (Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH) e Nayara Silva de Carie (UFMG/ Escola Estadual Prof. Maria Cecília de Melo - SEEMG)
Resumo:
As discussões e pesquisas sobre a leitura no ensino de História ainda são raras. Pouco se sabe a respeito do trabalho que os professores realizam em prol do letramento e da aprendizagem da leitura em História. Existe uma diversidade de práticas de leitura a ser conhecida, visto que os leitores - professores e alunos - são diversos e leem em condições singulares e diversas. A leitura de textos de natureza histórica requer a compreensão da especificidade da História. Isto é, de um conhecimento que envolve a compreensão do mundo social e de sua complexidade, com existência de conflitos e de atores com diferentes interesses; que se faz a partir de pontos de vista diversos e nas relações entre fatos políticos, religiosos, culturais, sociais e econômicos, estruturados pelas dimensões espaço-temporais presentes na compreensão da História. A leitura dos textos de natureza histórica depende da capacidade do leitor de "entrar" no texto, ou por intermédio dele, entrar no mundo das experiências, das ações, das causas ou motivações das quais o texto fala, e deste modo, (re)construir o "mundo histórico" retratado pelo autor. Além disso, ao entrar no mundo das experiências do texto, o leitor poderá também realizar confrontos e aproximações entre essas experiências e as suas próprias, criando-se um movimento dinâmico que enlaça temporalidades, sujeitos e contextos diferentes. Pretende-se neste GD contribuir para o conhecimento das condições em que processos de leitura são estabelecidos em aulas de História e das implicações dessas condições para que os alunos possam aprender como “ler história” e "saber história", e para que sejam capazes de ler os diversos textos que circulam no cotidiano relacionados ao conhecimento histórico. Busca-se propiciar debates e interlocuções entre pesquisas e experiências em ensino de história ampliando o conhecimento sobre a leitura dos textos históricos escolares em variadas condições, espaços, propósitos e gêneros textuais.
Justificativa:
As mudanças no campo da educação, impulsionadas, entre outras coisas, pela universalização do ensino e pelo advento das novas tecnologias, incluindo paulatinamente alunos das camadas populares, impuseram novos desafios aos docentes e à escola. Um deles refere-se à necessidade de aprimorar os estudantes nos processos de leitura e de escrita. Supõe-se que o sujeito que domina a leitura e a escrita amplia suas possibilidades de participação social e de exercício da cidadania por fazer uso consciente e competente da linguagem. Para que isso aconteça, espera-se que esses sujeitos sejam capazes de ler os variados textos presentes na sociedade que circulam dia a dia sob a forma de notícias, editoriais, reportagens, poemas, artigos, contas de telefone, água e luz, cartas, bilhetes, e-mails, tabelas, mapas, fotografias, pinturas, hipertextos, entre outros. Argumentamos que a tarefa de "letrar" os alunos ou de criar condições para o desenvolvimento de habilidades da leitura não se restringe às disciplinas relacionadas à língua portuguesa, tampouco deve somente ocupar o ciclo inicial da educação. Ela é parte integrante do currículo de todas as disciplinas escolares em todo o processo escolar. Soares (2003) argumenta que todos os educadores que trabalham com leitura e escrita são responsáveis pelo letramento, "mesmo os professores das disciplinas de História, Matemática, Ciências. Alunos leem e escrevem nos livros didáticos. Isso é um letramento específico de cada área de conhecimento. O correto é usar letramentos, no plural" (SOARES, 2003). Desse modo, a tarefa de discutir e descortinar praticas de leitura dos textos históricos escolares pode auxiliar o conhecimento e a compreensão de como os processos de leitura são instaurados em sala de aula e de que maneira criam oportunidades para o desenvolvimento das capacidades de leitura e aprendizagem da História pelos alunos.
Referências:
AISENBERG, Beatriz (2005). Una aproximación a la relación entre la lectura y el aprendizaje de la Historia. Revista Íber n. 43. Didáctica de Ciencias Sociales, Geografía, Historia. Barcelona: Editorial Grao, p. 94-104.
ANDRADE, Luísa Teixeira (2013). Práticas de leitura em aulas de História: um estudo de caso etnográfico. Belo Horizonte: MG (Tese, Doutorado em Educação/UFMG).
GUEDES, Paulo Coimbra, SOUZA, Jane Mari de NEVES, Iara C., SCHÄFFER, Neiva O., KLÜSENER, Renita (org.). Ler e Escrever: compromisso de todas as áreas. Porto Alegre: UFRGS, 1998.
MATTOZZI, Ivo. (2004). Enseñar a escribir sobre la Historia. Enseñanza de las Ciencias Sociales, 3, mar., p. 39-48.
ROCHA, H. A. B. (2009). Livros didáticos de história: diversidade de leitores e de usos. In ROCHA, H. A. B; RESNIK.L; MAGALHAES, M. S. ( orgs). A história na escola: autores, livros e leituras. Rio de Janeiro: FAPERJ.
SIMAN, Lana Mara. (2007). Aprendizagem da leitura sobre a escrita da história pelos alunos: um desafio para a prática e formação docente. Projeto CNPq.
SIMAN, L.M.C; ANDRADE, L.T (2010). O livro didático lido em sala de aula de história. São Paulo: Unicamp.
SOARES, M (2003). O que é letramento. Diário do Grande ABC.
SOLÉ, Isabel. Estratégias de Leitura. Porto Alegre: Artmed, 1998.