Grupos de Discussão (GD)
19 de abril de 2014 (domingo) e 20 de abril de 2014 (segunda-feira)
10:30 às 12:30hs
EIXO: SABERES E PRÁTICAS
Cartografia s) da(s) memória(s) sensíveis na/da cidade(s)
Coordenação: Lana Mara de Castro Siman (Universidade do Estado de Minas Gerais- UEMG); Lívia Torres Cabral (Instituto Cultiva) e João Carlos Ribeiro de Andrade (E.M.Edir Terezinha de Almeida Fagundes/Rede Municipal de Betim)
Resumo:
Em nosso Grupo de Discussão, Cartografia (s) da (s) memória (s) sensíveis na/da cidade (s), pretendemos acolher pesquisas e fazeres educativos reflexivos construídos por pesquisadores, mestrandos, doutorandos, docentes e licenciandos que, em seus trabalhos, dialogam com dimensões de experiências de memórias sensíveis nos lugares na/da cidade. Partimos do pressuposto, segundo o qual, estas experiências e pesquisas, potencialmente, podem oportunizar-nos um alargamento de nossa apreensão e compreensão de aspectos mais densos, também sensíveis e por vezes controversos e incertos, relacionados aos lugares no/do urbano. Supomos, ainda, ser lícito compreender essas experiências como uma das dimensões constitutivas do "direito à cidade". Elas constituem também alguns dos aspectos pelos quais perpassam as Questões Socialmente Vivas, emergindo dos saberes acadêmicos, escolares e também de controvérsias suscitadas no seio das relações sociais mais amplas. Estão implicadas, portanto, em polêmicas, incertezas e, por vezes, na busca de soluções de determinados problemas suscitados por questões do presente. A proposta dos "Encontros Nacionais Perspectivas do Ensino de História" tem se pautado pela construção de espaços, nos quais realizamos trocas de conhecimentos entre a Universidade e a escola básica, notadamente com os docentes da história. Neste IX encontro do Perspectivas, estaremos focando nossas trocas acerca da compreensão das Questões Socialmente Vivas - QSV - que, potencialmente, participam dos processos implicados com o ensino de história, desde a sala de aula aos variados ambientes educativos nos lugares na/da cidade. Em nosso caso desejamos apreender, compreender e analisar, entre aquelas experiências sensíveis que emergem nos/dos lugares da cidade as dimensões das memórias sensíveis. Assim, diante da temática proposta, desejamos receber Projetos de Investigação, relatos reflexivos de experiências, dissertações ou teses em andamento ou concluídas.
Justificativa:
Contemporaneamente a cidade tem sido apreendida para além de sua "epiderme asfáltica". Neste sentido, vários tem sido os esforços teórico-metodológicos, experiências e práticas educativas construídas visando apreender os movimentos construídos pelos sujeitos cidadãos em suas variadas dimensões e natureza. Crianças, jovens, adultos, pesquisadores, professores, entre outros, enquanto trabalham, moram, andarilham e percorrem diversos lugares da urbe sentem, pensam, fazem e elaboram lembranças, memórias e, porque não dizer, experienciam o esquecimento. São, de fato, sujeitos que possuem o "direito à cidade", ao uso de seus muitos lugares visando vivenciar uma multiplicidade de experiências- vividas, estas, por variados sujeitos históricos enquanto andarilham pelos "ladrilhos da cidade". Essas experiências estão implicadas em diversos aspectos "humanos-vivos" (intensos e controversos) e também pelas humanas incertezas construídas no espaço urbano. São dimensões das Questões Socialmente Vivas - QSV - que emergem nos/dos lugares da cidade. As QSV ou "questões sensíveis" estão implicadas em controvérsias, disputas e incertezas que se evidenciam também nas memórias que circulam pela escola e no cotidiano da cidade - compreendida aqui como "obra histórica", realizada pelas crianças, jovens, adultos, pesquisadores e professores enquanto pensam, sentem e vivem diversas experiências nos lugares da urbe. Mais recentemente, pesquisadores e professores da educação básica têm envidado esforços no sentido de apreender direitos outros, mais sensíveis, por vezes controversos, vivos nas escolas, ruas, praças, museus e outros ambientes educativos no seio da sociedade. Entre estas dimensões pulsantes, vivas nos diversos lugares da cidade emergem as memórias sensíveis - acerca das questões sobre a memória, concordamos aqui com as problematizações construídas por Miranda (2007). São experiências, narrativas relacionadas aos (res) sentimentos, silêncios, esquecimentos, lembranças por vezes negligenciadas pela(s) racionalidade(s) da modernidade. Estas experiências não podem ser apreendidas e entendidas fora das dimensões relacionais dos tempos e dos lugares nos quais são construídas e vividas. Assim, neste grupo de discussão, cartografia (s) da (s) memória (s) sensíveis na/da cidade (s), pretendemos dialogar com estudos e práticas educativas, nos quais dimensões das memórias sensíveis experienciadas pelos sujeitos que andarilham pelos múltiplos lugares do urbano "toquem" aspectos das QSV.
Referências:
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