Grupos de Discussão (GD)




19 de abril de 2014 (domingo) e 20 de abril de 2014 (segunda-feira)

10:30 às 12:30hs


EIXO: SUJEITOS E CULTURAS



Comunidades tradicionais: Desafios para a educação
Coordenação:
Rogério Correia da Silva (UFMG) e Roseli Correia da Silva (Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte - SMED - BH)

Resumo:

A década de 1990 foi marcada por um contexto de lutas suscitadas por movimentos sociais e culturais em prol do respeito à diversidade. Desde então, o fortalecimento dos elos da memória coletiva entre as comunidades tradicionais, a preservação da identidade e a reivindicação do direito à História, em defesa do patrimônio cultural dos diferentes grupos sociais, foram sendo alcançados paulatinamente. Essas discussões também serviram de esteio para repensar o currículo e as práticas escolares, que encontra-se perpassadas pela diversidade e pela ética, resultando na releitura e na adoção de novas posturas, valores e representações sociais. Mas, apesar dos avanços previstos com as normatizações das leis 10.639 e 11.645, que tornam obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, ainda faz-se necessária, buscar estratégias que contemplem a diversidade e a identidade como formas de desnaturalizar e dar visibilidade a grupos étnicos, como os ciganos. É imprescindível pensar em ações mais efetivas, que auxiliem as comunidades tradicionais, não só na identificação dos seus bens culturais, mas também na valorização, na salvaguarda, na revitalização e na difusão de seu patrimônio como "referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes elementos étnico-culturais formadores da nação brasileira" (Oriá, 2013:135). Sendo assim, a constituição de estratégias para inventariar o patrimônio preservado pelas comunidades tradicionais, reconhecendo-as como as grandes depositárias de um conjunto amplo de conhecimentos e práticas que constituem um bem da localidade, estão desejosas de políticas públicas que contemplem pesquisas, produções bibliográficas e audiovisuais, no afã de promover ações afirmativas em prol da sustentabilidade cultural das mesmas. De caráter interdisciplinar este grupo de discussão pretende por em evidência algumas experiências escolares envolvendo as comunidades indígenas e os ciganos que residem às margens do Córrego do Capão, em Venda Nova - Belo Horizonte

Justificativa:

O desafio para a conformação de práticas escolares mais inclusivas insere-se no contexto da cidadania cultural como direito à memória histórica. No intuito de dirimir estigmas negativos que recaem sobre as populações tradicionais, um dos caminhos para a participação de todos na construção de posturas que reduzam a discriminação e o preconceito, consiste em “abrir as portas, nas escolas, a diferentes manifestações da cultura popular, além das que compõem a chamada cultura erudita, na intenção de ampliar os horizontes culturais dos (as) estudantes, bem como de promover interações entre diferentes culturas” (Monteiro e Candau, 200 8, p.41).

Referências:

CORRÊA, Rodrigo Teixeira - História dos ciganos no Brasil, Recife - Núcleo de Estudos Ciganos, 2008, 127pp. Disponível em Https://docs.google.com/viewer?url=http%3A%2F%2Fwww.etnomidia.ufba.br%2Fdocumentos%2Frct_historiaciganosbrasil2008.pdf. Acesso em 05\12\2012.
DUARTE, Regina Horta. Noites Circenses: Espetáculos de circo e teatro em Minas Gerais no século XIX, Campinas: Editora da UNICAMP, 1995.
GOMES, Nilma Lino, Indagações sobre currículo: Diversidade e Currículo, Organização do documento Janete Beauchamp, Sandra Denise Pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento, Brasília: Ministério da Educação, Secretária de Educação Básica, 2008, 47 p.
NETO, Helion Póvoa, Anatomia de um povo desprezado, Carta na Escola, Nov., 2010, Edição 51, p.43-46.